Momentos na pressa dos dias

FRÉMITO


 Fotografia: Ingmar, Uso gratuito sob a Licença da Unsplash


Quando te abocanho, quase deixo lanho

na glande sofregamente sorvida...

É um deus nos acuda, este frémito de desejo...

um lutar pela vida,

Sempre que nos damos e um ao outro provamos

a seiva caída,

demonstrando que é possível arar a semente

por entre área ardida.

 

E quando na minha carne, alarve,

te banqueteias como o condenado...

cuja última refeição é servida em tição,

sobre um vulcão recentemente acordado.

Se não doesse tanto, entre o prazer e o pranto,

ao nos devorarmos,

não restaria nada, quando acabamos,

fosse osso ou o que fosse, ao separarmo-nos.

 

Porque quero tudo e é tudo que entrego...

a arder em convulsão

vibro arrepiada, onde tens fixada, ou endiabrada,

a tua excelsa mão.

Já o membro erecto, é-me predilecto

o jogo de sedução,

e ao ser penetrada, nunca capitulo...

explodo em paixão.

 

És então vaivém.

E eu vela enfunada.

O teu corpo progride...

E nunca me agride a tua estocada.

Poema escrito em Abril de 2019, republicado hoje

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