Ser eu.
Contentamento!
Correr livre como o vento.
Abraçar sem receio a loucura.
Deambular noite escura...
Numa folha toda em branco,
discorrendo sobre a vida e quem se é, entre tanto.
Simples e grata condição!
Nem complexo!
Ou maldição.
Sentir o sangue a irrigar...
E o corpo todo a vibrar.
Como a água
inunda um campo.
Ser eu.
Pequeno espaço ocupado!
Coração descoordenado,
Perpétua insatisfação,
génio fortemente marcado.
Ser alegremente povoado
de silêncio e solidão.
Ser eu.
Renegar o que não sou.
Decidir para onde vou.
Estar acompanhada,
sozinha.
Escrever sem cingir-me à linha
que me hajam demarcado.
Ser eu.
A que anda em viés.
Pelas suas mãos e seus pés.
Rasga o trilho que percorre.
Aquela que alguém amou.
A odiada de morte.
A entregue à sua sorte, sem limites, ou limitada.