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Às vezes anda-se como se fôssemos uma figura sobreposta à paisagem. Qualquer coisa criada em 3D em que os pés acompanham o normal percurso do caminho, mas na realidade não assentam no chão. Tampouco nos vai a cabeça sobre os ombros; embora se veja onde sempre pertenceu, os pensamentos estão-nos numa espécie de alheamento presente.
Às vezes existimos, mas parece que já não estamos cá, ainda que possam beliscar-nos, arrastando-nos num repente para dentro da realidade. Às vezes o cansaço faz-nos escapar para mundos paralelos; contudo, continuamos cientes do nosso papel e a desempenhá-lo, sem dolo de terceiros, apesar da sensação de que neste mundo somos só uma colagem.