Fotografia minha
Florescíamos...
Éramos pequenos botões de rosa.
Hastes tímidas de cravos.
Favos de dália e crisântemo.
Molhinhos de malmequeres.
A cada um, o seu perfume e cor.
O seu pedacinho de terra.
A gota de água que rega.
Éramos... um bouquet variado.
Que um Deus havia plantado.
Não fosse querer o Diabo
que deixássemos de ser flores.
E um monte de dissabores...
Muito bem elaborado,
tivesse para nós destinado.
Murchamos lentamente agora.
Sob uma máscara que nos castiga.
Impede de saber quem somos.
E nem o perfume que temos
pode resultar num afago.
O jardim foi profanado.
Cavado um abismo entre nós.
De botões de rosa e de cravos.
Outras espécies tão bonitas,
até aos olhos velados...
A estar sós, sempre obrigados.
Vivemos hoje assustados.
Numa perpétua desdita.
Florescíamos.
Em beleza e ingenuidade.
Sem pensar chegar a um dia...
Em que nenhum mais
teria...
segurança e liberdade.
Para o bem e para o mal.
Murchamos hoje, por trás...
de uma máscara social.