Fotografia minha
Há rochas que com os dedos nodosos e esguios parecem querer rasgar os céus num silêncio e desespero atrozes qual ser enterrado em vida, por vilania ou engano, raspa as tábuas do caixão.
Rochas que se limitam a fazer parte da paisagem, por aí, como os anciãos dos jardins. Rochas na borda e em pleno mar que parecem ter brotado do chão unicamente para lhe enfrentarem as investidas; servirem de pouso, qual ramo, às gaivotas extenuadas.
Há rochas de ar majestoso coroadas de neve que, como soberanos de outras eras, nunca abdicam dos seus cargos sucedendo umas às outras, partilhando esse duro legado entre si. Rochas que se deixam vestir de musgos ocres, verdes aveludados; de vermelhos e de dourados quando o sol madrugador nelas se roça.
Rochas encavalitadas em montes abandonados, umas meio partidas, outras mero pó. Rochas agrupadas, estrategicamente coladas, a formarem torres ou barricadas ainda de pé!
E... rochas surpreendentemente feitas de carne e osso que de peitos abertos enfrentam sem estremecimento nem recuo a rebentação. Rochas desgastadas, já meio desmoronadas que se reerguem escudando-se a si e aos seus, como intrépidas fortalezas.
Rochas habitadas por flores e urzes, como se fossem canteiros. Rochas...
Que soerguem os olhos para o alto e com as palmas das mãos vazias recolhem nelas as gotas cada vez mais raras que brotam do céu.