Fotografia minha
Desfiz-me pelas esquinas de folhas amarrotadas
em letras desperdiçadas
por isto, aquilo e também
aqueles que um dia amei,
outros que sozinhos me amaram,
porque eu chorava,
choraram,
sem ver que a vida passava,
rindo das letras que lia,
do porquê se lamentavam.
Homens e mulheres escorreitos,
presos no passado e presente
e ao que lhes ia no peito.
Preenchia-me vagamente um tinteiro esborratado,
exausto de ser usado,
uma caneta de aparo já rombo,
pela força que a mão exercia sobre a superfície vazia,
ao ponto de ficar arranhada,
porque aquilo que sentia e mais o que não dizia,
embora não fosse um espelho,
a minh'alma espelhava.
E querendo passar ao lado disto, daquilo e também...
sem querer chorar, chorava
contrariada,
por desperdiçar quem me amava.
E amar a quem amei.