Fotografia minha, Fonte da Telha
Na pressa dos dias os momentos tornam-se indistintos.
Tantos a sucederem-se a muitos,
cuja relevância não se destrinça, evaporam-se qual névoa matinal.
Diluem-se tal qual os anos,
que apagam os gestos,
deixando no seu lugar omissões,
confusão, mágoa
e sulcos na pele.
Onde os anseios esperam a fé ainda aguarda.
Frágil, indecisa,
expectante se o fragmentado, bem ou mal avaliado,
amarga ou prazerosamente passado,
será para memória futura emoldurado
ou, simplesmente ao lixo,
não reciclado,
entregue.
Na pressa dos dias os momentos são...
Como tanta coisa, subavaliados.
Inversamente pesados,
sob a urgência dos passos deglutidos,
no ruído das vozes baralhados,
partidos e dados
a partir de um naipe
sem trunfos.
Na pressa dos dias...
Quase nunca paramos para pensar,
renunciando descuida ou conscientemente
ao que não se repete.