Fotografia minha
Escrevemos sozinhos com quem fala para outros na frente, hoje numa máquina diferente das máquinas que martelávamos lá atrás, ironicamente parecida quer nas teclas ou no martelar.
Estabelecemos uma conversa íntima sem eco, com quem se confessa ao vazio, aliviando os carregos da alma, a confusão da mente atropelada por tantos e tantos bombardeamentos diários que nos submergem nesse mar de informação oca e falsa, porque a real, Deus! É inassimilável. Ninguém realmente são a suporta, por tão cruel. Como infelizmente já quase não se diferencia.
Vivemos tempos severos, presos cada vez mais no nosso íntimo, na angústia da incerteza de, se doarmos um pedacinho de nós a alguém, o que poderá fazer com ele. Até estilhaçar-nos.
Escrevemos como danados sei lá se com o intuito de nos açoitar, ou buscar a redenção em alguém que no íntimo desejamos e não nos importa que não esteja aqui, seguros de que ninguém lê, admitindo no entanto que, de certo modo, em momentos de menor segurança esse anonimato, essa solidão nos contraria, precisando que alguém nos valide não direi a existência, mas o sentir.
O outro que na maior parte das vezes tentamos a todo o custo evitar preservando a nossa quietude, o nosso espaço, é-nos afinal tão necessário para não perdermos o pé neste mar apinhado de almas em similar turbulência.