Fotografia minha
Sei que choveu porque presenciei. Trovejou atrozmente porque numa das vezes temi, qual menina escondida sob os lençóis. Sei que é esta a minha génese. Cinza, vento, chuva, borrasca.
Sei-me desde sempre! Do ainda antes de ser Eu, se der para acreditar a quem não esteve lá, mas seja crente!
Sei que mal a temperatura desce, arrulho como a pomba no ninho. Ronrono e alongo o corpo como gato no seu recanto acolhedor.
Serve-me o que não é para os demais.
O que lhes sobra, importuna e afastam é o meu lugar-feliz.
Sei-me preenchida no silêncio, completa em solidão. Próxima, quanto mais longe possível de, e do que possa tirar-me o nada ou o pouco com que me basto.