Fotografia minha
Névoa
que não a do pó!
Deem-me a imprecisão das manhãs
que acordam estremunhadas,
secas ou meio molhadas,
em que a brisa faz estremecer
sem a bruma se desfazer.
Onde os prédios, ainda indistintos,
e as ruas engolidas,
nos pareçam demolidas,
a partir do meio da estrada,
caminhar seja melhor
do que conduzir um motor,
descobrindo, pé ante pé, que afinal ainda há estrada.
Névoa.
Que não a do bafo!
A levar ao desespero o corpo entediado.
Ao sol sempre agrilhoado,
sem que um silvo o açoite, o dia nasça ensombrado.
Ainda que o sol possa ser
agradável quando o vento sopra frio, desembestado.
Dá-me o amplexo dos teus braços
Aperta-me para me confortares.
Pois talvez ao apertares
Fustigando a minha tristeza, devolva o sonho e a beleza,
Daquelas manhãs cinzentas, quando o vento assobia.
Tardes que minguam mansamente,
Noites de pura magia.