Fotografia minha, Lousã
Deixa-me encostar a cabeça sem temer.
Estou cansada mas não demais para prosseguir.
O tempo apressa-se e eu já desisti de agarrá-lo, farta de correr.
Deixa-me encostar a cabeça, suspirar, sorrir e ficar a ver…
Os convencidos que o dominam agastarem-se, pelas horas poucas do dia,
que estendem noite fora, para compensar.
Deixa-me imóvel e ciente de que nenhuma criatura vive para sempre,
e ironicamente perceber
que tudo o que é inanimado, obra do homem ou não,
subsistirá,
quando o seu criador perecer.
Deixa-me descansada assim neste canto,
sorvendo as horas do dia e noites, entretanto.
Horas que preferia deglutir também, confesso, mais lentamente,
tudo e o caminho, estendido à babugem na minha frente.